Alterações de citocinas em pacientes idosos hospitalizados

O processo do envelhecimento está associado a alterações fisiológicas, psicológicas e físicas que podem repercutir de forma negativa no apetite e no consumo de alimentos. Essa condição foi identificada como anorexia do envelhecimento e potencialmente pode levar ao desenvolvimento da desnutrição. De etiologia multifatorial e não completamente elucidada, a desnutrição apresenta prevalência elevada em idosos. Sua fisiopatologia pode ser mediada por baixa ingestão alimentar, elevadas demandas nutricionais e redução da biodisponibilidade de nutrientes. Um dos principais fatores de risco para a reduzida ingestão de alimentos desses pacientes parece ser a falta de apetite cuja prevalência é de 15% em idosos residentes na comunidade e 33% em pacientes hospitalizados. A inapetência e a diminuição do consumo de alimentar costumam estar associados a doenças crônicas e/ou agudas, que podem simultaneamente aumentar as demandas energéticas e acelerar o desenvolvimento de desnutrição em idosos.

De maneira geral, pode-se denominar Síndrome do Complexo Desnutrição-inflamação a ocorrência simultânea dessas duas entidades. O quadro inflamatório exerce influência sobre o apetite e consequentemente, diminui a ingestão de alimentos. Em respostas a condições inflamatórias, diversas citocinas são sintetizadas e liberadas. Já foi identificado que o acúmulo de citocinas reduz o apetite e altera o comportamento alimentar ao interagir com o hipotálamo, centro da homeostase energética e do apetite. No entanto, ainda não se sabe quais as citocinas têm impacto no apetite humano. Alguns estudos transversais entre pacientes com câncer avançado, doença renal, doença de Alzheimer, depressão, doenças infecciosas observaram a associação de inflamação expressa por níveis aumentados de citocinas com apetite e ingestão de alimentos.

Trata-se de estudo observacional, longitudinal prospectivo cuja amostra foi composta por 200 pacientes, com idade igual ou superior a 65 anos, internados por pelo menos 7 dias consecutivos no departamento de geriatria, entre setembro de 2017 a novembro de 2018. Foram realizadas as seguintes dosagens séricas: proteína C reativa (CRP), interleucina 1 beta (IL-1β), interferon alpha-2 (IFN-α2), interferon gamma (IFN-γ), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), proteína quimioatraente de monócitos-1 (MCP-1), IL-6, IL-8, IL-10, IL-12p70, IL-17A, IL-18, IL-23 e IL-33. Também foram preenchidos questionários para avaliação do apetite e consumo alimentar, além de outros instrumentos clínicos para avaliação de autocuidado, capacidade funcional, estado nutricional e comorbidades.

A IL-18 parece exercer um impacto significativo no apetite em pacientes hospitalizados, e portanto, pode ser considerada como um alvo potencial no diagnóstico, na prevenção e no tratamento da desnutrição.

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Referência bibliográfica: Pourhassan M et al. Longitudinal Changes of Cytokines and Appetite in Older Hospitalized Patients. Nutrients, v. 13, n. 2508. 2021.